9ª Edição
C U
R I O
S I D
A D E
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HISTÓRIA DO WHISKY
Fabricação
de Whisky (Continuação...):
Enquanto grande número de destilarias hoje em dia aquece seus
alambiques com a utilização de vapor,
a Macallan e a Glenfiddich voltaram ao aquecimento,
acreditando que esse tipo de aquecimento e o uso de correntes produzem um
espírito melhor.
O formato do alambique também tem grande importância no
produto final. Quando os alambiques precisam ser renovados, geralmente são
copiados como réplicas, incluindo até pequenas imperfeições, para que se
mantenha a personalidade do whisky. Alambiques mais longos e estreitos produzem
um espírito mais refinado e leve, fazendo com que os vapores mais densos se
condensem antes de chegar ao pescoço de cisne e de descer de volta como “refluxo”
para evaporar novamente. Alambiques mais curtos permitem que mais componentes
pesados passem pelo pescoço de cisne e, portanto, resultam num espírito mais
rico e encorpado. Existem alguns
alambiques que incorporam um “boil Ball” ou onion head (capacete em forma de
cebola) no pescoço de cisne, isso ajuda a esfriar parcialmente os vapores de
modo que os voláteis mais densos desçam de volta como refluxo. Purificadores de
mosto e condensadores de refluxo também são usados para essa finalidade, uma
vez que condensam os vapores mais densos no pescoço de cisne, devolvendo-os em
forma de líquidos ao alambiques e, com isso permitem que os vapores mais leves
alcancem o condensador, produzindo um
espírito mais leve e delicado. Em contraste, o espírito produzido por
condensadores com serpentina em forma espiral de cobre é mais pesado porque há
menos contato com o cobre e, portanto, menos catálise e, com isso, alguns
produtores afirmam que o whisky obtém uma maior personalidade.
É relativamente novo o processo de maturação do whisky em
tonéis de carvalho, esse processo foi introduzido numa escala maior a partir de
meados do século 19. Quando o whisky é armazenado em barris que foram
previamente usados para vinhos doces, xerez ou porto, com isso, ele torna-se
mais suave e saboroso. Esse processo se desenvolveu bastante, tornando-se uma
arte refinada em destilarias como a Macallan, que matura uma proporção maior de
seus whiskies de malte em tonéis de carvalho espanhóis, especialmente
selecionados em Jerez, tendo sido previamente usados para maturar xerez oloroso
seco por cerca de aproximadamente dois anos.
Em sua maioria, os whiskies de malte são maturados em tonéis
que foram previamente usados para whisky, xerez ou Bourbon. Em 1915, tornou-se
lei no Reino Unido que todo whisky fosse maturado em tonéis de carvalho por um
mínimo de três anos, para que pudessem ser chamado de whisky.
O tipo e tamanho dos tonéis de carvalho usados para a
maturação tem importância significativa. O Carvalho americano tem um grão mais
apertado e duro do que o carvalho europeu e é menos poroso. Isso significa que
há menos interação entre o Whisky e a madeira de um tonel de carvalho
americano, de modo que mais personalidade do espírito fica retida.
Carvalhos crescem mais rapidamente na Espanha e, assim, o
grão é mais poroso. Os tonéis espanhóis são normalmente selecionados entre
aqueles que já acondicionaram xerez ou
porto. Em alguns casos, é preparado com um xerez em particular, como o oloroso
seco da Macallan, para combinar os sabores do xerez com os do whisly e, assim,
acrescenta algo mais à sua complexidade. Às vezes, são preparados com o uso do
xerez Pedro-Ximénez, que é escuro e doce e, que transfere uma cor dourada mais intensa
e um sabor de xerez doce.
Whiskies maturados em tonéis usados anteriormente para xerez
naturalmente são afetados logo de início pelo xerez que penetrou na madeira.
Apenas anos depois é que as características da madeira começam a ser transferidas
para o whisky. Por outro lado, quando um tonel foi preenchido com whisly uma
terceira ou quarta vez, quaisquer características do xerez ou da madeira terão desaparecido,
de modo que o sabor da bebida será modificado a um grau bem menor. Tais tonéis
“reutilizados” são usados principalmente para maturar whisky que se destina ao
blending.
Embora os tonéis sejam vedados para conter vazamento, o
carvalho é poroso e mesmo assim acontece uma perda de cerca de 2% do whisky por
ano devido à evaporação. Significa que, durante 8 anos de maturação, cerca de
15% do espírito terá se perdido através da evaporação. Após 20 anos, o volume
poderá chegar a um terço ou mais. É o que se chama poeticamente de “angel’s share” (porção dos anjos) isso
justifica o delicioso aroma do whisky em maturação que emana dos depósitos.
- Tino Lopes
Administrador de
empresas
Relações Públicas
MBA em Pessoas e
Finanças
Pós-Graduado em Gestão
Pública
Extensão em Arranjos
Produtivos na Área de Confecções
Comunicador de Rádio
Pesquisador
(Na próxima Edição concluiremos o processo de
fabricação do whisky e iniciaremos a fase de sabores do whisky – aguardem...)
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